The Notebook

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Só agora eu entendi, e não sei se isso é bom ou ruim

cupboardunderstairs:

Ontem descobri algo sobre mim que jamais imaginaria existir.

Se eu fico ocupando meu coração com garotos relativamente aleatórios que não se importam comigo, é porque eu sei que eu não conheço ninguém e isso me assusta. Ainda mais do que a possibilidade de me entregar a alguém.

E então sinto aquela sensação de vazio novamente, porque se me entregar a alguém de coração poderia me machucar tremendamente, não ter alguém  ao meu lado de forma especial me deixa sem direção, perdida no mundo, sozinha.

A verdade é que eu sempre me entrego, no fundo. Mesmo sendo a esses garotos que nada teriam a ver mas aparecem na minha vida. Eu acabo tentando não me entregar, me reprimindo, mas não adianta. E essa tentativa da repressão acaba sempre resultando em problema, já que sempre que me restrinjo demais acabo acumulando e explodindo.

Quando eu vejo que preciso de alguém e não tenho, tenho esse sentimento de vazio. Não é por falta de alguém específico, como costumo afirmar a mim mesma. É a falta de alguém, a necessidade de alguém que ainda não apareceu. A falta de alguém que me considere mais do que apenas mais uma garota. A consciência de que, além de amigos e familares, estou completamente sozinha.

E só agora eu entendi.

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Cupboard Under Stairs: Falta

cupboardunderstairs:

Eu sinto falta do seu abraço, do seu beijo, dos seus carinhos e das suas palavras doces. Sinto falta também das suas brincadeiras sem graça, provocações e das nossas brigas sem fundamento que sempre tinham final feliz. A verdade é que tudo que se refira a você e tinha espaço garantido em meu coração foi retirado de mim, causando um imenso vazio irreparável.

Agora o que me resta ao pensar em você se resume a saudade, dor e frieza. Saudade porque jamais esquecerei ou me recuperarei de tudo o que passamos juntos; dor porque você é insubstituível, ou seja, ninguém mais conseguirá fechar meu coração ou desfazer as feridas que nele existem; frieza porque é como está nossa relação ultimamente: pura coexistência.

Não posso contar quantas vezes afirmei não mais sofrer pela distância agora presente entre nós, mas o fato é que sempre terei pensamentos reservados e garantidos para você. Sei - e não posso negar, por mais que o faça – que mesmo estando apenas em meu mais profundo e obscuro subconsciente há questões pendentes relacionadas a nós. Sei que jamais poderei satisfaze-las, pois nunca estaremos juntos, nunca mais teremos nosso sentimento único, inigualável.

Tudo o que existia se foi. Tudo, menos as mensagens que me mandava e que continuo lendo, as fotos que tiramos juntos com nosso sorriso e brilho no olhar. A felicidade e o sentimento que emanavam de nós sem que tivéssemos que forçar ou mesmo pensar.

Não queria o final doloroso que encontramos para essa história, nós dois, um praticamente indiferente ao outro, cada um em seu canto. O que eu posso fazer agora é te olhar de longe, lembrar todos os momentos que compartilhamos e que sempre estarão presentes com seu lugar cativo em minha memória.

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Cupboard Under Stairs: Ex-Muro de Berlim

cupboardunderstairs:

Sempre fui forte e inabalável, inclusive me intitulava o Muro de Berlim - impenetrável, com sua extensa e elaborada proteção, enquanto outros se sentem do lado soviético da situação – até o fatídico ano chegar.

Mas, como todo ponto final, ele marcou o desfecho da minha sanidade e o início de turbulência e instabilidade que se tornaram constantes no meu dia-a-dia. Foram surtos, crises, choros. Lágrimas insistentes, grossas, jorrando dos meus olhos às vezes sem que eu sequer sentisse. Acho que isso foi devido à dor em meu peito anestesiar o meu rosto e o resto do corpo.

O problema é que esse capítulo da minha vida se estende, parecendo que será assim até o epílogo do livro. Eu não consigo me livrar disso, e tudo o que repito é “não aguento mais”. Creio que essa seja a frase que mais falei no ano inteiro, mais que “tudo indo”, “nada” ou “é só sono, vai passar”. É, chega um ponto em que não sou mais capaz de mentir a todos e a verdade sai sem que eu sinta.

Cogitei a possibilidade de sair com amigos ser a solução para tudo, já que costumava rir durante o tempo ao seu lado e tudo desmoronava apenas ao chegar a casa e ficar sozinha em meu quarto sem possíveis distrações. No entanto, pude ver que isso já não funcionava ao ficar perto deles e minha insegurança levantar questões como a real consideração deles quanto a mim ou o valor que tinha para eles.

Sempre segui a vida baseada em motivações e determinação, no entanto a falta de perspectiva me mantém estagnada nesse eterno mal estar incontrolável e repleto de fraquezas.

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Cupboard Under Stairs: Sem saber o que escrever

cupboardunderstairs:

Não sei bem o que escrever, já que estou há algum tempo com esse bloqueio infernal. Ficar nessa abstinência literária só me faz mal, já que é como se eu reprimisse meus sentimentos, acumulasse minhas emoções.

Juntar as palavras é como segurar a respiração para mim, não ser capaz de estruturá-las num texto que expressasse o que sinto transforma minha cabeça num labirinto, ou talvez num buraco negro em que nada posso encontrar.

Conviver com uma mentira acaba com a pessoa, e isso que aconteceu comigo. Minha vida é uma mentira, eu sou uma farsa.

Para que você possa entender, tenho que começar contando logo do início da minha vida.

Nasci numa família turbulenta e repleta de buracos e falhas. Eu sei, todas as famílias têm seus defeitos, mas no meu caso não foi possível contorná-los. Nunca tive um avô paterno, perdi meu avô materno, minha avó materna e depois minha avó paterna, que considerava uma segunda mãe. Logo depois, perdi minha estrutura familiar mais próxima, meus pais se separaram numa situação sobre a qual até hoje não sou capaz de escrever.

Dois anos depois, tive meu pueril coração quebrado pelo garoto de quem gostava. Por mais que fosse uma coisa simples, eu sentia isso com uma intensidade que não posso descrever até hoje.

E então, a partir daí, me tornei fria, intocável, congelada. Praticamente insentimental. Qualquer um que conquistasse meus sentimentos e depois os jogasse fora receberia minha total indiferença, ou seja, seria incapaz de machucar.

No entanto, seis anos se passaram dessa forma e eu não mais aguentei.  Eu simplesmente desabei e deixei cair todo aquele muro que construí ao redor de minha história. Doeu, tanto que achei que não fosse suportar. E eu chorei, chorei lágrimas que não pude controlar ou parar. Chorei por mim, por perceber que meu escudo repelente de dor e mágoas realmente tinha acabado e novamente estava suscetível às decepções da vida, porque sabia que agora a instabilidade me avassalaria.

Foram anos de confronto à realidade, mas agora posso ser facilmente atingida por problemas do cotidiano de qualquer ser humano, sem mais forças para me reerguer.

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Cupboard Under Stairs: "Era uma vez"

cupboardunderstairs:

“Era uma vez” é uma expressão comumente utilizada em contos de fadas, fábulas e afins, histórias ilusórias que mostram dramas e terminam com um final feliz. No entanto, essa inicia um caso oposto.

Era uma vez uma garota comum, exceto por seus defeitos, sem qualquer qualidade especial ou única, que estava perdida na cidade em que vivia. Ela caminhava, ainda assim, insistentemente com a ajuda inútil de um mapa que não sabia ler, interpretando-o como lhe convinha. Sua teimosia interminável, sem que percebesse,  fez com que ela escolhesse um caminho que só lhe traria sentimentos e emoções ainda mais negativos, mas de certo isso era merecido.

Enquanto mantinha em mente que estava certa e nada poderia dar errado, sofreu um grande choque. Ela, com seu eterno mau humor e falta de objetivos, viu a felicidade cara a cara. Acontece que, como o previsto, aos poucos foi se emocionando e ligando àquela imagem de realização e alegria, o que gerou a ilusão e a dependência.

Esse foi seu resgate, no entanto não resultou em nenhuma qualidade redentora para a garota.  Em sua mente, se da forma que agia conseguira conquistar aquela oportunidade, não precisaria melhorar, nem se empenhar para isso.

E então, como uma questão de tempo, tudo se foi. Com um último golpe, as últimas forças que tinha se foram e restou caída insana na relva. No entanto, no final das contas, ela não tinha problemas, era o problema.

Quando tentou escapar da estranha realidade já não era mais quem tinha se tornado nem quem fora, era apenas mais uma garota com as características biológicas de um ser humano. Sem personalidade, caráter, essência. Sem índole.

Com a prova da realidade em sua memória, decidiu que não tinha mais o que fazer, já que sequer a vontade ou idéia de como realizar algo tinha. Aos poucos, sua vida sem acontecimentos foi invadida por pesadelos, nos quais recebia a mensagem de que deveria prestar mais atenção às escolhas que fazia e discernir se realmente poderia fazer aquilo ou se alguém seria prejudicado, existindo a possibilidade de esse alguém ser até ela mesma.

Ela só entendeu o recado de seus pesadelos na noite em que resolveu acabar com o que restava, dando um fim em sua sobrevida.

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cupboardunderstairs:

Esta semana descobri que tenho um segredo. Algo que era secreto até mesmo para mim. Sempre existiu, eu apenas nunca havia visto. Ou talvez eu tenha negado. Algumas pessoas já desconfiavam, mas como eu afirmava com tanta veemência o contrário as convenci.

Não sei se foi melhor ou pior ter passado esse tempo no escuro, mergulhada no desconhecimento sobre meus sentimentos. Por um lado, era capaz de me convencer que a dor até então inexplicável que sentia seria finita e era sem razão ou finalidade; por outro, agora sinto tudo de uma vez só, assustada, sem saber o que fazer ou como e quando isso irá acabar. O fato é que não sei se isso terá um fim, não sei sequer se quero ver isso se findar. Queria um final feliz, mas com isso não posso contar.

Eu o amo, e mais sobre isso não posso falar. Tudo o que me parece é que nossa relação estava fadada a acabar. Nossa união sem precedentes tornou-se finita repentinamente, deixando apenas o sentimento e a dor sem um possível fim. O nexo, a coesão, a coerência… não encontro mais para usar. Seus sorrisos e abraços direcionados de forma especial a mim não mais existem.

Acabou. Fim. Tenho que me conformar. Mas como? Não consigo esquecê-lo nem parar de sofrer. Não posso mais viver com essa dor constante no peito, cujo motivo agora é compreendido por mim. Fim? Apenas de nossa história juntos, já que o do meu sentimento está longe… inexistente, eu diria. Um final feliz para ele e triste para mim.

Fim. Das minhas forças e de meus sorrisos. Só se for.

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Cupboard Under Stairs: Eu sei que as coisas mudaram.Por mais que possa ser dito o contrário,...

cupboardunderstairs:

Eu sei que as coisas mudaram.

Por mais que possa ser dito o contrário, eu percebo isso.

Não foi no seu caráter ou na sua conduta que ocorreu a mudança, foi apenas entre nós.

Eu sei, então não adianta perguntar aos outros. Na verdade, pode até ser que alguém tenha notado a nossa atual distância, mas nunca vão perceber a real dor que isso me causa.

Percebi que tudo aconteceu por eu ter tomado conhecimento dos meus próprios sentimentos quando era tarde demais. Talvez se fosse antes nada estaria como está agora.

Talvez, mas o que posso fazer quanto a isso?

Não há nada a ser feito, tenho que simplesmente esquecer. Já sei que nada poderá trazê-lo de volta mim. Só posso me lembrar de como fomos, e é isso o que sempre faço. As imagens e lembranças de nossos tempos juntos e felizes me fazem ficar contente e triste ao mesmo tempo. Suas antigas mensagens e carinhos.

Eu sei, devo esquecer. Mas como?

O passado ainda se mantém junto a mim.

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Eu te odeio.

Eu odeio a forma como eu preciso tanto de você, odeio ficar esperando horas pra te ver, esperando ansiosamente por um olhar, por uma resposta, por uma palavra. Eu odeio te ver e te desejar tanto, eu odeio não ser forte o bastante pra não me importar com você, odeio ser tão efusiva ao se tratar de você. Parece que nunca é o bastante, parece que nunca vai ser suficiente.

Eu te amo.

(Source: cupboardunderstairs)

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cupboardunderstairs:

Simples detalhes em você mudam o meu humor.

Simples toques fazem do meu dia mais triste o mais feliz.

Simples distâncias entre nós fazem do meu dia mais feliz o mais triste.

Simples palavras suas têm a capacidade de ficar em minha memória por anos, por mais que eu nunca lembre nada além disso.

Simples frases e sorrisos seus têm a capacidade de permanecer, mesmo após o fim de todo o resto.

Simples detalhes em você mudam a minha vida.

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“You think the dead we loved ever truly leave us? You think that we  don’t recall them more clearly than ever in times of great trouble? Your  father is alive in you, Harry, and shows himself most plainly when you  have need of him. How else could you produce that particular Patronus?  Prongs rode again last night.” - Albus Dumbledore, Harry Potter and the Prisoner of Azkaban

“You think the dead we loved ever truly leave us? You think that we don’t recall them more clearly than ever in times of great trouble? Your father is alive in you, Harry, and shows himself most plainly when you have need of him. How else could you produce that particular Patronus? Prongs rode again last night.” - Albus Dumbledore, Harry Potter and the Prisoner of Azkaban